E se eu dissesse que, na maioria das vezes, o problema não é a falta de desejo nem de prazer, mas a falta de educação sexual?

 

Ao longo de mais de 20 anos atendendo mulheres em consultório, ouvi milhares de histórias. E, sem dúvida, uma das queixas mais frequentes sempre foi a falta de desejo e a dificuldade em sentir prazer.

 

Com base na minha experiência clínica, ouso dizer que, em mais de 90% desses casos, o maior problema não era um hormônio alterado, uso de medicação, menopausa e nem uma doença.

 

Era algo muito mais simples: falta de educação sexual.

 

Ninguém havia ensinado aquelas mulheres a compreender o próprio corpo, a resposta sexual feminina ou a forma como o desejo e o prazer realmente funcionam.

 

Muitas mulheres acreditam que o desejo deveria surgir automaticamente, como a fome, a sede ou a vontade de ir ao banheiro. E, quando isso não acontece, concluem que existe algo de errado com elas.

 

Mas o desejo não funciona assim.

 

Talvez, enquanto você lê este texto, esteja pensando:

 

"Mas já houve uma época em que eu sentia vontade o tempo todo. O que aconteceu?"

 

Essa é uma das perguntas que mais ouvi ao longo da minha carreira.

 

É verdade que, em alguns momentos da vida, o desejo costuma surgir de forma mais espontânea. Isso acontece com frequência no início de muitos relacionamentos, durante a fase da conquista e da novidade, e também pode acontecer quando a pessoa está solteira ou vivendo relações sem um vínculo estável.

 

Mas essa não é a única forma como o desejo se manifesta, nem é o padrão que permanece ao longo da vida.

 

O problema é que quase ninguém nos ensina isso.

 

Crescemos acreditando que, se o desejo deixa de aparecer sozinho como antes, significa que ele acabou. Quando, na verdade, ele apenas passou a funcionar de uma forma diferente.

 

E essa é uma das maiores consequências da falta de educação sexual.

 

Aprendemos português, matemática, química e até a tabela periódica. Mas quase ninguém nos explicou como funciona o desejo, o prazer ou a resposta sexual feminina.

 

Na verdade, quando o assunto era sexualidade, quase tudo o que aprendemos estava relacionado à reprodução ou à prevenção. Ensinaram sobre gravidez, infecções sexualmente transmissíveis e métodos contraceptivos, assuntos fundamentais, mas quase ninguém falou sobre prazer, autoconhecimento, excitação, comunicação ou sobre como construir uma vida sexual saudável ao longo dos anos.

 

Como consequência, muitas mulheres cresceram acreditando que o prazer era apenas uma sorte, um privilégio ou algo que deveria acontecer naturalmente.

 

 Mas o prazer também se aprende.

 

Assim como o desejo, ele é influenciado pelo autoconhecimento, pela autoestima, pela comunicação, pelas experiências vividas, pela qualidade da relação e pela forma como aprendemos a enxergar a nossa sexualidade.

 

Quando ninguém ensina sobre prazer, também ninguém ensina como desenvolvê-lo. E, sem esse conhecimento, é comum acreditar que tanto o desejo quanto o prazer deveriam simplesmente acontecer sozinhos.

 

Mas eles não dependem apenas do acaso.

 

Eles podem ser compreendidos, cultivados e transformados.

 

Você não perdeu o desejo. Você apenas nunca foi ensinada que ele muda a forma com que ele responde ao longo da vida.

E talvez nunca tenha aprendido que o prazer também pode ser desenvolvido.

 

Foi justamente para preencher essa lacuna que escrevi o livro Seu Prazer Importa.

 

Mais do que um livro sobre sexualidade, ele é um guia prático para mulheres que nunca receberam educação sexual de verdade. Ao longo das páginas, você vai compreender como funciona o desejo, descobrir os fatores que influenciam o prazer, conhecer melhor o seu corpo, desfazer mitos que carregamos desde a infância e desenvolver uma relação mais leve, consciente e prazerosa com a sua sexualidade.

 

Porque ninguém deveria passar a vida tentando viver uma sexualidade saudável sem nunca ter aprendido como ela realmente funciona.

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